Sustentabilidade ganha espaço no SPFW Inverno 2017

Marcela Rodrigues -

A essência de uma Semana de Moda está longe de estar próxima aos alicerces do consumo consciente, uma vez que apresentar novas tendências de moda – para compra – é seu principal objetivo. Com a urgência de repensar novas formas de consumo nos últimos anos, grifes e empresários até já estavam salpicando doses de Slow Fashion nas últimas temporadas dos eventos de moda nacional. Mas sempre vi com uma oportunidade de surfar na onda e nada mais.

Ou seja: o burburinho acontece, todo mundo bate palma e, no outro dia, o que importante mesmo é o que vai usar ou não. Há quem diga que é porque é este o desejo da “massa”. Acredito no contrário. Cubro SPFW desde 2010 (quando comecei pelo jornal O Estado de SP e Jornal a tarde, depois, Editora Abril) e, desde 2006, quando frequentava como estagiária. Nesta SPFW N43, no entanto, me surpreendi: eventos paralelos dialogando os novos rumos da moda a partir de um consumo responsável e tecnológico, como o Projeto Estufa, patrocinado pela C&A, que levou gente que realmente vive é entusiasta da causa, e não só rostinhos conhecidos como sempre acontece.

Em uma das palestras Jeffrey Hogue, diretor Global de Sustentabilidade da C&A, afirma que precisamos apontar para uma economia circular onde o design de roupas é pensado de uma maneira mais ampla desde sua produção até o pós-consumo, envolvendo, no caso, uma nova cultura de compra.

FASHION, MAS RESPONSÁVEL

O Sebrae Top 5 promoveu desfiles paralelos com marcas e empreendedores menores. E vi um um número maior de grifes apostando (e valorizando) projetos sociais, outras priorizando matérias-primas sustentáveis e alternativas de reúso. A grife Fabiana Milazzo, por exemplo, levou produções glamourosas à passarela. Mas pouca gente sabe que ela recrutou artesãs de ONGs para cuidarem dos bordados (incríveis, característica de seu DNA). Um passo e tanto, já que a responsabilidade social é um pilar bem importante para o Slow Fashion.

Fabiana Milazzo Inverno 2017: parceria com ONGs de artesãs

Fato é que quando feito por quem sempre se preocupou com a causa, não dá para dizer que tais ações são apenas marketing. Mostra um sinal, ainda que discreto, de  um amadurecimento por parte do mercado em entender que é possível produzir em escala maior sem deixar de lado o design, e impactando minimamente o meio ambiente (e até uma marca de maquiagem orgânica, a Simple Organic, lançada me um backstage de desfile).

USO & REÚSO

E tem mais. A mineira Green Co. cruzou a passarela no último dia de evento dentro do projeto Sebrae top 5. Com uma coleção atemporal desenvolvida com matéria prima 100% ecologicamente correta a marca provou que a moda sustentável pode ser linda e acompanhar todas as tendências. Fundada em 2006 pelo engenheiro ambiental Cassius Pereira, a Green Co. afirma ter em seu DNA uma busca por alternativas sustentáveis. De 2007 a 2010, a marca participou do Ethical Fashion Show em Paris. Para o desfile, a marca firmou parceria com o Fashion Revolution Brasil, movimento que vem crescendo por aqui e que tem tudo a ver com a filosofia do grupo.

A militância verde e o lifestyle contemporâneo  são traduzidos em uma coleção criada a partir de cadeia produtiva ecologicamente correta. As peças de roupa e acessórios atemporais e minimalistas são feitas a partir de  matérias-primas orgânicas, naturais e recicladas.


ARTESANAL

Já gaúcha Helen Rödel, levou seus crochês artesanais – cheios de design e pontos autorais – com informação de moda reforçando outro movimento, o Feito à Mão, 100% colectado com o slow fashion.

 

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