Slow Fashion: 9 atitudes básicas para um consumo sustentável

Marcela Rodrigues -
(Foto: do Pinterest\ bbvaopenmind)

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Cada vez que compramos uma roupa nova, estamos custeando um desperdício enorme de água  – que é usada tanto no processo para cultivar a matéria prima,  quanto nos processos de tingimento – isso, claro, se tratando na grande indústria de moda. Para fazer uma calça jeans, por exemplo, são gastos 10 mil litros de água. A indústria têxtil é responsável por 20% da contaminação industrial das águas em nível global.**

Além disso, um tecido de malha leva anos para se decompor no solo, outros mais sintéticos, décadas. A  maioria dos tecidos não é reciclável e não há aterros para onde mandar peças e retalhos inutilizáveis. Uma forma de manter o consumo de moda sustentável, então, é aumentar ao máximo o tempo de vida útil de cada peça.

Tenso, né!

(Imagem: Roupa Livre)

(Imagem: Roupa Livre)

Agora pense que, em média, uma pessoa compra cerca de 80 peças por ano. Imagine também o quão rápido estas roupas vão parar no lixo caso sejam de pouca qualidade.

Comprar é bacana, faz bem para a auto-estima e gira a economia. Mas algumas atitudes podem tornar o seu consumo e a sua relação com a roupa mais consciente no dia a dia – e sem perder o estilo! Confira nove dicas

Explore brechós  | As grandes cidades estão repletas de brechós estilosos e originais. Muitos, como o Minha avó Tinha, Capricho À Toa, Toca da Raposa, todos paulistanos, são verdadeiros acervos  de peças de grifes que, com o tempo, tornaram-se exclusivas. Não à toa, são são fontes até de figurinistas de TV e cinema. Peça de qualidade e de grife, claro, não sai tão barata assim. Uma opção mais em conta é visitar os bazares de igrejas que, acredite, concentram itens de boa qualidade, e com preços lá em baixo. Experimente explorar bazares em bairros nobres da sua cidade.

Customize! | Transformar uma roupa dando uma nova modelagem ou mesmo aplicando pedras e rendas, é uma atitude cool, criativa e original. O conceito, aliás, nunca esteve tão em alta. A internet está cheia de tutoriais bacanas, revistas – como a Manequim – incentivam essa prática de maneira antenada com a moda e há até um movimento inspirando alternativas para dar cara nova às roupas antigas. É o **Roupa livre, que incentiva uma relação mais consciente com o ato de vestir-se. Uma da criadoras, a estilista Gabriela Mazepa, organiza oficinas de re-roupa  em vários estados – uma delas, você transforma uma camisa em saia em pouquíssimo tempo! Vale ficar de olho na agenda no movimento.

Mande fazer! | Houve um tempo em que mandar fazer uma roupa na costureira era a única opção para manter-se antenado à moda – seja rico ou pobre. O ofício, porém, nunca se perdeu no tempo e o hábito, que andou com status de “coisa de vó’, nunca esteve tão na moda. É uma forma de adquirir uma peça sob medida, ou seja, perfeita na sua silhueta. De qualidade, já que você vai escolher o tecido; e justa, já que estará fortalecendo a economia local e feita à mão. O melhor: pode criar o que você quiser que alguém vai dar vida peça com todo carinho do mundo!

Compre de quem faz | Pequenas confecções e estilistas estão aí por feiras vendendo suas peças por um preço muito maios justo do que na grande indústria, os varejistas. Comprar de quem faz é sustentável, fortalece a economia regional e garante que você não esteja apoiando um comércio que explore trabalhadores. Estas, aliás, são algumas das vantagens destacadas pelo manifesto Compro de Quem Faz, um movimento a favor de artesãos e artistas independentes. No mais, seja curioso e procure saber quem faz a roupa que você está comprando, como e até de onde vem a matéria prima utilizada.

Ou faça você mesmo | Concluir algo feito com as próprias mãos, causa uma sensação indescritível. Costurar, bordar, customizar são ofícios que se perderam nas últimas décadas mas está mais valorizada do que nunca. Já está fácil encontrar cursos rápidos para aprender técnicas manuais. Se você é de SP, pode dar uma olhada no Rainhas da Costura, Novelaria, além de algumas unidades do Sesc São Paulo, como a Pompeia e Consolação, sempre estão com uma grade variada de cursos de técnicas manuais. Na internet, o EduK também está com cursos bem bacanas que podem ser assistidos gratuitamente na primeira exibição.

Troca esperta | Quer renovar o armário e liberar espaço para peças novas? Faça um troca-troca fashion entre amigas com o gosto parecido. Organize um chá da tarde ou noite de drinks em que cada um leva peças que não quer mais e trocam entre si. É mais divertido do que apenas vender suas peças para elas – o que também é uma boa ideia, já que você vai ganhar capital para comprar novas roupas.

Cuide bem da sua roupa! |  Isso incluir, além de lavar do jeito correto – sempre especificado na etiqueta – lavar menos! Quando chegar em casa, deixe a peça pendurada em um cabine no varal. Assim ela vai “respirar” e, se foi apenas uma “usadinha básica” você não terá a necessidade de mandar para lavagem.

Não quer usar, doe! |  Mas a peça precisar estar em bom estado, lavada e passada. Doe com carinho!

Seja curioso | Antes de finalizar uma compra, procure saber quem faz a sua peça, aonde, como e até de onde vem a matéria prima utilizada. Não é por que é da grande indústria que não é sustentável e nem sempre algo feito à mão, do lado de casa, é 100% correto.  As informações do que acontece nos bastidores da grande indústria são sempre uma polêmica quando vem à tona, normalmente por meio de reportagens investigativas e documentários. O ‘The Tue Cost’, disponível no NetFlix, é uma boa fonte – mas é forte,viu! O documentário mostra como a atitude de comprar em uma fast fashion apoia  indústrias que querem lucros com poucos custos, ou seja, por meio do serviço de trabalhadores que…bom, assista ao doc e  descubra. É impossível não se sentir culpado.

 

**Dados divulgados pelo movimento Roupa Livre.

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