Aprenda a identificar um cosmético natural, orgânico, vegano e artesanal

Marcela Rodrigues -

O universo da beleza finalmente entrou na frequência da Nova Era. Sustentabilidade, saúde e vaidade andam juntas e dão o tom das fórmulas queridinhas do momento. Entenda a diferença entre cada tipo de cosmético, e qual categoria tem mais sintonia com o seu estilo de vida e as causas que você apoia

máscara facial

Colagem do artista digital Marcelo Monreal (Reprodução)

Aqui no Brasil não há uma legislação que regulamente a produção de cosméticos naturais e orgânicos. E nem que defina o que é, de fato, cada um. Por isso, é muito comum nos depararmos com marcas da indústria convencional que, uma vez que um determinado item tenha sido aprovado pelas normas gerais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), se aproveitam do termo  “natural” quando, na verdade, oferecem uma formulação com apenas 1% de insumos naturais, por exemplo.

É o Greenwashing (do Inglês green, verde, a cor da causa ambientalista; e washing, lavagem, no sentido de modificação que visa ocultar ou dissimular algo).

O que fazer? Informar-se a ponto de identificar sinais que demostrem uma responsabilidade social, sustentável e com a saúde por parte da marca já traz uma dose de senso crítico e segurança no momento da compra. É hora de praticar o consumo consciente.

O que é o que é?
Com tantas opções, a indústria acaba dividindo essa nova geração de cosméticos em categorias (vegano, orgânico, natural e artesanal). As classificações visam identificar uma formulação mais “saudável”, como por exemplo, com menos derivados do petróleo e metais pesados na sua composição, ou livre de testes em animais. “O importante neste complexo assunto é conhecer quais são os ingredientes mais prejudiciais e que, portanto, deveríamos evitar usar na nossa pele com tanta frequência”, pondera a dermatologista Patrícia Silveira, do Rio de Janeiro. Informados, podemos fazer escolhas seguras e em sintonia com o que acreditamos.

Abaixo, um miniguia pelo universo dos cosméticos naturais. As definições estão de acordo com órgãos particulares que  inspecionam  as marcas de cosméticos brasileiros e lá fora, como  EcoCert e IBD (Instituto Biodinamico) .

NATURAIS

O termo natural se aplica às fórmulas que contenham 95% de ingredientes naturais e 5% de ingredientes orgânicos. Uma fórmula que prioriza insumos naturais, porém, não está totalmente isenta de provocar reações. A indústria convencional, normalmente, utiliza aromas artificiais, enquanto um item natural prioriza óleos essenciais, por exemplo. Os riscos de alergias, reações e outros problemas a longo prazo, das versões naturais, logo, são menores.

cosmético natural como escolher

Ao adquirir uma fórmula natural, evitamos que uma série de elementos sintéticos e não recicláveis chegue até meio ambiente. É o caso, por exemplo, dos esfoliantes à base de microesferas de plástico, tão nocivas à  saúde e ao meio ambiente. Nas versões naturais, podemos encontrar substituições biodegradáveis, com sal e sementes trituradas.

 ORGÂNICOS

De acordo com os parâmetros das certificadoras, um cosmético orgânico é aquele que possui, no mínimo, 95% de matérias-primas orgânicas (sem químicas, como agrotóxicos, antes e durante o cultivo) em relação à quantidade total de matérias-primas utilizadas na formulação. “Fórmulas que contém entre 70% e 94% de ativos dessa natureza podem apresentar no rótulo a indicação produzida com ingredientes orgânicos, especificando a porcentagem de cada um”, diz Alexandre Harkaly, diretor executivo da IBD (Instituto Biodinamico).

De olho nos selos

Os selos nos dão segurança na escolha, mas não precisa levá-los como uma regra

Além disso, a produção orgânica normalmente prioriza o comércio justo, ou seja, é fruto de uma agricultura local/familiar e sustentável.

 VEGANO

O cosmético vegano, por definição, não contém em sua fórmula ingredientes de origem animal – caso da cera de abelha (bee wax), lanolina (sebo), queratina, ativos muito presentes em  hidratantes labiais, condicionadores e hidratantes. E também não pode conter ativos testados em animais. Mas atenção: um cosmético vegano, não necessariamente, é natural ou orgânico.

CRUETLY-FREE

Cruelty-Free-beleza

Selo “cruelty-free”

O termo cruetly-free (livre de crueldade), é usado para definir produtos que não foram testados em animais. Um item nesse nicho não é, necessariamente, vegano – livre de ingredientes de origem animal, caso da cera de abelha. Com o aumento da procura por itens em sintonia com a causa animal, muitos marcas se dizem livre de crueldade, mas pode acontecer de, um ativo ou outro, ter, sim, passado pelo processo que usa algum animal como cobaia. Vale a pena acompanhar o trabalho da  PEA (Projeto Esperança Animal), que lista as marcas nessa categoria e também aquelas que ainda não estão.

ARTESANAIS

O fazer – seja na cozinha, na beleza ou na moda… – nunca esteve tão em alta. A retomada das técnicas ancestrais manuais, além da popularidade de movimentos como o Compro de Quem Faz, que incentiva o comércio justo e local,  está em alta.

O feitio artesanal prioriza ingredientes naturais e produz o mínimo de lixo. O preço justo é outra característica, já que são confeccionados em pequenas escaladas de produção. E, justamente por utilizar o mínimo de ingredientes químicos, acaba gerando uma desvantagem: o curto prazo de validade.

óleo tea tree na saúde

(Foto: Shutterstock )

“Esse tipo de produto também não tem a orientação da Anvisa. É importante, então, saber a procedência da marca e o processo como o item é formulado”, alerta a dermatologista Juliana Neiva, do Rio de Janeiro. Vale priorizar fórmulas de efeito instantâneo e mecânico, como sabonetes, esfoliantes e hidratantes corporais.

Como os cosméticos artesanais não são avaliados também pelas certificadoras particulares, preste bem atenção ao rótulo, e pergunte, na hora da compra, a classificação – se é  vegana ou orgânica, por exemplo, e o prazo de validade.

Cuidado que vale para todos: como a pele absorve tudo o que nela é aplicado, é importante levar em conta alergias alimentares: se você costuma ter alguma reação ao ingerir canela, aveia ou leite, por exemplo, passe longe deles durante os rituais de beleza.

{{{A LISTA NEGRA }}}

Saber interpretar o rótulo é importante, o que não significa decorar todos os nomes científicos impressos em letras minúsculas.  Mas, claro, etender o que significa alguma palavras (alguns dos ingredientes mais nocivos) na lista “negra” é melhor ainda. Normalmente eles são fáceis de serem identificados. O escritor Michael Pollan já dizia em relação à comida o que  também vale para a beleza: “Não como nada que sua avó não reconheceria como comida.” – ela pode até não conhecer o prato em si, mas ingrediente é ingrediente desde que o mundo é mundo, não é mesmo?

 “Identificar o que nossa pele absorve é mais um item na lista para uma vida mais saudável – Patrícia Silveira, dermatologista.

Fique de olho

Parabenos (metilparabeno, propilparabenos, etilparabenos…) são conservantes proibidos na Europa há anos por seus efeitos de alterações hormonais e tóxicas do sistema nervoso. Sulfatos (detergente Lauril sulfato de sódio), muito presentes em shampoos e sabonetes, podem causar irritações.  E fique atenta se identificar o petrolatum (óleo mineral) e os Glicóis (propilenoglicol, PPG, PEG), derivados de petróleo. “Devido às impurezas, eles podem ter efeito cancerígeno”, avisa Patrícia.

O aplicativo Skin Deep® Cosmetics é referência quando o tema é segurança em  produtos de cuidados pessoais. Ele possui um banco de dados bem generoso dos cosméticos mais populares do mundo, classificando-os numa escala de 1-10, e listando os principais ingredientes tóxicos e seus.

{{{ REFLEXÃO }}} COMO ESCOLHER?

Nem todo cosmético classificado como vegano é natural. Nem todo natural ou orgânico é vegano. Nem toda opção artesanal é orgânica. Como escolher, então? Há uma ou outra opção mais saudável?

Primeiro é importante refletir porque você está buscando um produto de beleza natural. Esqueça os modismos e pense nos seus valores. Você luta pela causa animal? A saúde é o mais importante? Ou o comercio justo? Entenda o que te move com mais intensidade. Caso sejam todas estas causas, seja ainda mais critica e procure alternativas que unam o melhor de todas. Encontrando as respostas, reflita, pesquise e seja consciente antes de sacar o cartão de crédito!

E, entre tantas marcas e novos produtos, como escolher? Diante dessa dúvida, resista à vontade pedir opinião da colega de trabalho ao lado. Ou nas redes sociais. Ou caso, faça, tenha em mente que ambas as atitudes não podem ser o suficiente para influenciar a sua escolha. Se preciso, leve ao seu médico dermatologista ou esteticista. Mas seja consciente e autorresponsável.

 

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