Alimentos industrializados: 5 perigos ao fazer esta escolha

Marcela Rodrigues -

Os alimentos industrializados cresceram junto com a tecnologia, a urbanização e a vida moderna. Criados para tornar a rotina mais prática, em excesso eles se tornaram uma bomba nas prateleiras.

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Quando o tema é este, sempre me lembro de uma das dicas do Michael Pollan ‘Em defesa da comida’: “Não coma nada que a sua avó não reconheceria“. Acho justo. Outro dia ouvi de uma famosa musa fitness que mora fora do Brasil algo semelhante. “Não como nada que não venha da terra ou não tenha mãe“. Apesar da distância intelectual e acadêmica entre eles, o discurso é o mesmo: vamos comer comida de verdade!

“Existe um trabalho de marketing muito efetivo realizado pela indústria. O perigo é que temos por trás desses alimentos  uma série de empresas comprometidas com lucros, dispostas a utilizar grandes quantidades de gordura trans, sódio e açúcar para baratear a produção e criar produtos mais viciantes”, enfatiza o endocrinologista especialista em nutrologia, Mohamad Barakat.

Lembrar dos males que esses tipo de alimento nos faz nunca é demais! Aqui, Barakat mostra cinco perigos por trás daquele biscoitinho recheado ou da lasanha congelada…

1- Sódio

 O problema é a grande concentração empregada, assim como o processo de refinamento do sal, fazendo que uma dieta composta de alimentos industrializados extrapole em muito os dois gramas diários recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).   “O resultado dessa ingestão é um aumento da pressão arterial, um quadro que se traduz em diversos problemas graves como hipertensão arterial, problemas renais, arritmia e infarto, cada vez mais comuns na população”, lista o especialista.

2- Açúcar

Utilizado em altas concentrações para mascarar a grande quantidade de sal refinado que entra como conservante até mesmo em comidas doces, a alta concentração de açúcar gera picos de insulina, enquanto o corpo tenta lidar com a grande quantidade de glicose.  “Esse ciclo é repetido a cada bomba de açúcar consumida. Com o tempo, o corpo vai ficando cada vez menos sensível à insulina, uma condição que evolui para diabetes. Mais do que isso, o açúcar também traz um componente psicológico muito forte, chegado a causar dependência comparável à de diversas drogas”, explica Barakat.

3- Gorduras trans

“Esse tipo de lipídio artificial é formado por um processo químico conhecido como hidrogenação, que transforma óleos vegetais líquidos em gorduras sólidas. Esse composto é largamente utilizado em alimentos industrializados para melhorar o aspecto e consistência, além de aumentar a durabilidade. A substância eleva o colesterol ruim (LDL) e diminui o bom, aumentando a obesidade abdominal e até os processos inflamatórios do nosso organismo, isso sem falar no aumento do risco de desenvolver diabetes. Mesmo causando tantos problemas, esse tipo de gordura está presente em uma extensa gama de alimentos consumidos em larga escala.”

Um agravante é que muitas vezes esse composto vem escondido na tabela nutricional. “Como é o próprio fabricante quem escolhe qual porção vai sugerir, ele pode fazer um cálculo simples para sumir com a concentração de gordura saturada. O segredo é ficar de olho na composição dos produtos. A presença de gordura hidrogenada ou parcialmente hidrogenada e óleo vegetal hidrogenado ou parcialmente hidrogenado é indicativo de que certamente há gordura trans em sua composição”, explica Barakat.

4- Glutamato Monossódico (MSG)

Esse famoso realçador de sabor que começou a ser comercializado mundialmente no início de 1900 pela indústria japonesa. Hoje em dia é possível encontrar várias evidências científicas de que o consumo contínuo pode causar déficit de atenção e danos cerebrais, pois a excitotoxina (aminoácido presente nesse produto) é excitante de células nervosas o que leva à destruição dessas células, estimulando assim o surgimento de doenças degenerativas como Alzheimer e Parkinson.

“Além disso, o MSG pode até triplicar a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas levando a um estado de pré-diabetes. As complicações em longo prazo relacionadas ao consumo de glutamato monossódico são obesidade, depressão, enxaquecas crônicas e lesões oculares”, ressalta.

5- Paladar infantil na vida adulta

O  endocrinologista ainda aponta para um malefício oculto dos alimentos industrializados, algo que não pode ser computado em concentrações ou listado em tabelas de ingredientes – o desenvolvimento de um paladar infantil.  Em outras palavras, temos um indivíduo que foi acostumado desde pequeno a ser bombardeado com sal, açúcar e gordura em sua alimentação.

“O resultado é que ele terá muita dificuldade em experimentar e se acostumar com alimentos mais saudáveis, ricos em fibras ou outros nutrientes. Quando isso ocorre desde pequeno, teremos um adulto com paladar infantil, que come mal e acaba adoecendo tanto por conta dos excessos de sódio e açúcar quanto pela falta de elementos importantes, uma perda muita maior do que algumas horas a mais de preparo para substituir os biscoitos, salgadinhos e outras guloseimas oferecidas como práticas”, finaliza.

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